segunda-feira, 10 de março de 2014

Algum tempo depois, Paulo disse a Barnabé: "Voltemos para visitar os irmãos em todas as cidades onde pregamos a palavra do Senhor, para ver como estão indo". Barnabé queria levar João, também chamado Marcos. Mas Paulo não achava prudente levá-lo, pois ele, abandonando-os na Panfília, não permanecera com eles no trabalho. Tiveram um desentendimento tão sério que se separaram. Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre, mas Paulo escolheu Silas e partiu, encomendado pelos irmãos à graça do Senhor. Passou, então, pela Síria e pela Cilícia, fortalecendo as igrejas. (AT 15:36-41)

Um dos quadros + tristes da cristandade é a sua fragmentação absurda. Há provavelmente cerca d 100 mil denominações evangélicas no mundo d hj. Na verdade, a maioria delas é exatamente igual a muitas outras em termos d doutrinas e práticas. Infelizmente, muitos grupos se separam d seus irmãos na fé por motivos pouco cristãos. Todavia, apesar d tantos desencontros semelhantes, é fato q grande parte d nossas divisões teve origem em questões teológicas e doutrinárias.

É claro q teologia e doutrina são elementos fundamentais, dos quais ñ se pode abrir mão. Se alguém nega a divindade d Cristo, a onisciência d Deus, a salvação pela fé e a singularidade da Bíblia, tal pessoa ñ pode ser considerada cristã evangélica. No entanto, nossas divisões ñ se limitam a doutrinas fundamentais. As questões q nos distanciam d nossos irmãos são as menores, d importância secundária, e em alguns casos são questões irrelevantes.

Talvez a razão principal d nosso divisionismo exacerbado seja a “teologia do saci-pererê”.  O q mais se destaca na figura do saci é o fato d q ele tem uma perna só. Naturalmente, a pergunta já surge na mente d vc meu irmão: O q isso tem a ver com teologia? Saci e teologia juntos? O q queremos dizer c/ isso é q boa parte d nossa teologia é uma “teologia d uma perna só”, isto é, uma teologia restrita, q enxerga d modo limitado o quadro amplo da revelação divina.

Uma das razões pelas quais criamos uma teologia limitada assim é a nossa herança racionalista. Os antigos hebreus e cristãos sabiam q a realidade era muito mais complexa do q a nossa razão. Além disso, entendiam q certas dimensões da fé aparentemente distintas ñ eram necessariamente contraditórias. O problema é q quando nossa teologia se “helenizou” exageradamente, adotamos uma lógica simplista q nos trouxe diversos problemas. Para entender tal realidade, basta ler a Bíblia e ver q o texto sagrado ñ se incomoda em afirmar coisas q ofende o racionalismo d muitos. Por exemplo, como Deus pode ser infinito e encarnar num bebê em Belém? Como Deus pode ser um e três ao mesmo tempo? Como a Bíblia pode ser Palavra d Deus e ser escrita por homens? Como podemos ser salvos por nossa fé e ao mesmo tempo por obra exclusiva do Espírito Santo? Como entender q Deus é totalmente soberano e somos livres e responsáveis por nossos atos? Como decidir se é o bom senso ou sabedoria bíblica q nos norteia, ou é a direção sobrenatural do Espírito Santo?

A verdade é q o mistério e a complexidade da realidade bíblica tem sido reduzida para “facilitar” a vida dos cristãos. Uns dizem q Deus é pura razão, outros afirmam q ele é só coração e emoção. Uns insistem q Deus faz tudo, sendo plenamente soberano (até os ímpios foram predestinados ao inferno), outros afirmam q Deus ñ pode fazer nada sem nossa autorização (nós é q decidimos… será q Deus ainda é Senhor?). Uns preferem um Deus mais coletivo, sociológico; outros afirmam q Ele é o Deus do indivíduo. Há quem veja Deus como inserido na realidade concreta do mundo; outros o colocam no “milésimo céu”, em sua espiritualidade e distância absolutas.

A verdade é q toda teologia radical terá sérios problemas e graves consequências. Se entendermos q “duas paralelas só se encontram no infinito”, q toda moeda “tem duas faces” e q a realidade é mais dialética ou “poli-alética” do q admitimos, seremos muito beneficiados. Em primeiro lugar, seremos mais humildes em nossa afirmação d “conhecimento do sagrado”. Depois, aprenderemos a separar questões fundamentais d problemas secundários. Em terceiro lugar, desenvolveremos nossa tolerância e nosso senso d fraternidade e amor cristãos (esses inegociáveis, segundo Jesus). Espero q venhamos a amadurecer nesta direção, pois a teologia tem mais condições d ser menos radical do q ela é...a teologia!

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